Portugal, por
muito tempo, não demonstrou interesse em ocupar efetivamente as
terras descobertas por Cabral, em 1500, o que propiciou a invasão
das terras brasileiras por espanhóis, franceses e holandeses.
Somente em 20
de janeiro de 1532, com a chegada de Martim Afonso ao Porto de São
Vicente, que funda a primeira colônia no Brasil : a Vila de São
Vicente, onde forma-se o primeiro núcleo com organização
social e administrativa, com abertura de ruas, construção
de Casa Forte, da Casa do Conselho e da Igreja, fruto da primeira expedição
colonizadora em terras brasileiras.
Entre 1534 e
1536, o Brasil é dividido em Capitanias Hereditárias por
D. João III e Martim Afonso é agraciado com a Capitania de
São Vicente, que media 100 léguas de frente para o mar e,
de comprimento o que o donatário pudesse adentrar para o interior,
respeitando-se o Tratado de Tordesilhas.
Em 01 de março
de 1565, Estácio de Sá chega ao Rio de Janeiro e funda a
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Neste período
a cidade do Rio de Janeiro e arrabaldes era povoada pelos índios
Tamoios. O nome original da baia era Guana-Para, que em tupi quer dizer
: “seio do mar”
A presença
dos Tamoios, povo guerreiro que se aliou aos franceses, facilitando-lhes
a extração do pau-brasil, impediu, por algum tempo, que os
portugueses expulsassem, rapidamente esses invasores A técnica destes
consistia em trocar “bugingangas” pela matéria-prima e, não
o domínio dos nativos, o que facilitou a aliança. Os portugueses,
vendo-se em desvantagem numérica, aliaram-se aos índios Temininós,
inimigos naturais dos Tamoios por terem sido expulsos por estes de sua
localidade de origem (Ilha do Gato, atual Ilha do Governador).
Após
a expulsão dos franceses e dos Tamoios, que se refugiaram em Cabo
Frio entre 1560 e 1567, os portugueses iniciaram a ocupação
efetiva da orla da Baía de Guanabara.
Apesar desse
contexto de luta e posse pela terra, já naquela época havia
uma população de desbravadores que se instalavam aqui e ali,
e o processo de ocupação iniciou-se nos entornos da Baía
de Guanabara.
Os moradores
e povoadores enviaram uma petição a Mem de Sá, sobrinho
e substituto de Estácio de Sá no Governo-Geral da Capitania
do Rio de Janeiro, para que interviesse junto a Corte Portuguesa, na legalização
da tutela dos lotes com vistas à produção agropastoril.
Transcrevemos
aqui fragmentos de tal petição:
“ (...) anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo
de mil quinhentos e sessenta e sete annos, aos dez dias do mez de outubro
do dito anno(...) pedem tres leguas pouco mais, ou menos, as quais
pedem tenha para toda as parte em redondo, sem tributo nenhum, que sendo
menos se não póde pastorar os gados por a mór parte
desta terra estar em mattos bravios, e ser necessário derribarem-nos
para darem hervagens para os gados, que ao presente aqui ao redor não
tem, no que receberão mercê.”
Observa-se que possuir
influência junto aos quadros da elite portuguesa era um fator
relevante neste tipo de concessão.
Sesmarias era
o termo usado para designar os lotes de terras dados aos Povoadores Reais
da Fazenda, que recebiam o título de sesmeiros.
Naquela época
a posse da terra, para ser efetivada, tinha que preencher alguns requisitos
impostos pela Coroa Portuguesa. Um deles eram as benfeitorias e o outro
era a obrigação de se erguer um oráculo ao santo de
devoção do sesmeiro.
A criação
de gado e a extração do pau-brasil, primeira atividade
econômica das terras, foi aos poucos, devido às subdivisões
e interesses de seus proprietários, sendo substituída pela
monocultura da cana-de-açúcar, que se tornou destaque nos
séculos XVII e XVIII.
Dentre os Povoadores
Reais da Fazenda, destacamos Gonçalo Gonçalves, que recebeu
seu lote de sesmaria em 6 de abril de 1579.Com relação a
localização da capela que Gonçalo Gonçalves
mandou edificar ao santo de sua devoção - São Gonçalo
d'Amarante - , presume-se que tenha sido no atual local onde está
a Igreja Matriz . embora haja, relatos de que a primeira capela tenha
sido erguida as margens do rio Guaxindiba porém, até hoje
não se tem conseguido localizar qualquer vestígio de sua
existência real. Ao contrário do que é relatado com
relação a capela construída as margens do rio Imboaçu.
São Gonçalo,
era habitado, na época , pelos índios Tamoios, cujos domínios
estendiam-se até Angra dos Reis. Seu desmembramento iniciado no
final do século XVI, foi efetuado pelos jesuítas que, no
começo do século XVII, instalaram uma fazenda na zona conhecida
como Colubandê, ás margens da atual RJ-104.
Essas terras
foram doadas em sesmaria, ainda na primeira metade do século, a
Gonçalo Gonçalves, que edificou, às margens do Rio
Guaxindiba, uma capela dedicada a São Gonçalo, como marco
da colonização.
Em 1646, foi
alçada à categoria de paróquia, já que, segundo
registros da época, a localidade-sede ocupava uma área de
52 Km2 , com aproximadamente 6 mil hab., sendo transformada em freguesia.
Visando a facilidade de comunicação, a sede da sesmaria foi
posteriormente transferida para as margens do Rio Imboaçu, onde
foi construída uma Segunda capela, monumento atualmente restaurado.
O conjunto de marcos históricos remanescentes do século XVII
inclui a Fazenda Nossa Senhora da Boa Esperança, em Ipiíba,
e a propriedade do capitão Miguel Frias de Vasconcelos, no Engenho
Pequeno. A capela de São João, Porto do Gradim, e a Fazenda
da Luz, em Itaoca, são lembranças de uma passado colonial
em São Gonçalo.
Em 1860, 30
engenhos já estavam exportando através dos portos de Guaxindiba,
Boaçu, Porto Velho, e Ponta de São Gonçalo. Dessa
época, as fazendas do Engenho Novo e Jacaré (1800), ambas
de propriedade do Barão de São Gonçalo, o Cemitério
de Pachecos (1842) e a propriedade do Conde de Baurepaire Rohan,
na Covanca (1820), são os elementos mais importantes.
Em 22 de setembro
de 1890, o Distrito de São Gonçalo é emancipado politicamente
e desmembrado de Niterói, através do decreto estadual nº
124.
Em 1892, o decreto
nº 1, de 8 de maio, suprime o município de São Gonçalo,
reincorporando-o a Niterói pelo breve período de sete meses,
sendo restaurado pelo decreto nº 34, de 7 de dezembro do mesmo ano.
Em 1922, o decreto 1797 concede-lhe novamente foros de cidade, revogada
no em 1923, fazendo a cidade baixar à categoria de vila. Finalmente,
em 1929, a Lei nº 2335, de 27 de dezembro, concede a categoria
de cidade a todos as sedes do município.
A partir de
então (1929), o Município de São Gonçalo, inicia,
de forma mais tranqüila, sua trajetória rumo ao progresso e
ao sucesso.
Em 1943, ocorre
nova divisão territórial no Estado do Rio de Janeiro e desta
vez, São Gonçalo perde o Distrito de Itaipu para o município
de Niterói.
Neste
mesmo período, décadas de 40 e 50, inicia-se a instalação,
em grande escala, de grandes fábricas e industrias em São
Gonçalo. Seu parque industrial era o mais importante do Estado,
o que lhe valeu o apelido de Manchester Fluminense.
QUADRO DAS INDÚSTRIAS
Em 17 de abril
de 1925, a Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas - CBUM, instala-se
no município, posteriormente esta usina foi incorporada ao grupo
HIME.
O grupo HIME,
além da fundição e da cerâmica, desenvolvia
a produção de fósforo da marca "SOL" , com uma fábrica
denominada "Companhia Brasileira de Fósforo", que funcionava dentro
de sua área metalúrgica.
O HIME, também, mantinha na Rua Dr. Alberto Torres, uma escola
primária, dirigida pelo prof. Êneas Silva e uma escola de
Corte e Costura.
Criou o Campo
do Metalúrgico, que deu grande impulso e incentivo ao esporte no
Município.
A construção de vilas operárias em terras desta
companhia, para seus funcionários, também, não pode
ser esquecida.
Atualmente,
o HIME foi adquirido pelo Grupo Gerdau.
Em 02 de dezembro
de 1937, é a vez do gaúcho José Emílio Tarragó,
fundar com a seguinte razão social: Tarragó, Martinez e cia
Ltda. A Futura Industria de Conservas de Peixe Coqueiro.
A posterior
mudança do nome da empresa, deveu-se a mudança do ramo de
negócio. A primeira atividade desta indústria era uma frutinha
doce/azeda chamada tamarindo. Porém , ao mudar de ramo, para o de
conservas de peixe, a indústria teve que mudar de nome.
Dona Júlia
Pires de Medanha, operária desta industria na época, que
é madrinha da fábrica, por ter sugerido o novo nome.
A história
do nome é a seguinte: por haver nas proximidades uma praia conhecida
como "Praia dos Coqueiros", dona Júlia sugeriu o nome "Coqueiro"
à nova empresa, tornando-se madrinha da mesma.
A nova empresa prosperou e a marca Coqueiro, projetou-se nacional e
internacionalmente.
Em 1973, o Grupo
Quaker, comprou a fábrica e , consolidou a marca Coqueiro, além
de ampliar sua tradicional liderança no mercado.
Em 09 de fevereiro
de 1941, José Augusto Domingues, funda a Fábrica de Artefatos
de Cimento Armado, produzindo paralelepípedos e meios-fios.
Em 05 de outubro
de 1941, instala-se no distrito de Neves, a Indústria Reunidas Mauá,
que produzia vidros e porcelanas.
Em 16 de novembro
de 1941 é fundada a Companhia Vidreira do Brasil - COVIBRA. Foi
a primeira no Brasil e a maior na América do Sul, no fabrico mecânico
de vidro plano, com exportação para o Egito, Índia,
China e África do Sul.
Com o tempo
mudou de proprietários e de nome para VIDROBRAS e, atualmente, ELETROVIDRO.
A matéria-prima desta indústria vinha de Maricá.
Em 22 de novembro
de 1941, instalava-se a Fábrica de Enlatados de Sardinha Netuno,
próxima ao Porto do Gradim.
Em 10 de maio
de 1942 é fundada a Fábrica de Fogos Santo Antônio,
localizada na Rua Oliveira Botelho nº 1.638, em Neves.
Além
desta, podemos citar também, as seguintes industrias :
-
Cerâmica Fattori;
-
Companhia Fiat Lux de Fósforos de Segurança;
-
Composições Internacioais do Brasil S.A . (Tintas e vernizes);
-
Cooperativa Central dos Produtores de Leite - CCPL;
-
Cortume Zoológico;
-
Diversas Confecções.
-
Diversas Olarias;
-
Fábrica de Ampolas;
-
Fábrica de Bebidas Ron Merino;
-
Fábrica de Biscoitos;
-
Fábrica de Brinquedos : FAMA e FÊNIX;
-
Fábrica de conservas de Peixe Piracema;
-
Fábrica de Conservas de Peixe Rubi;
-
Fábrica de Conservas de Peixe União;
-
Fábrica de Doces Triunfo;
-
Fábrica de Formicida (Inseticida Tank);
-
Fábrica de Goiabada;
-
Fábrica de Manufaturados de chumbo;
-
Fábrica de Papel Alcântara;
-
Fábrica de Refrigerantes;
-
Fábrica de Silicato de Sódio;
-
Fábrica de Soda Cáustica;
-
Fábrica de Tamancos;
-
Laboratório B. Braun;
-
Laboratório Herald's;
-
Marinho e Ferreira (Sal grosso e refinado);
No período
da 2ª Grande Guerra Mundial (1936/1942), São Gonçalo,
cresceu de forma meteórica.Com as grandes fazendas, sendo desmembradas
em sítios e chácaras, mão de obra barata e abundante,
grandes áreas, além da proximidade com a capital, o que facilitava
o escoamento da produção. São Gonçalo tornou-se
solo fértil ao desenvolvimento.
No governo de
Joaquim de Almeida Lavoura, o município teve sua grande arrancada
para a urbanização, com calçamento das principais
vias, ligando Niterói ao Alcântara.
Lavoura, como
é mais conhecido, governou São Gonçalo por três
vezes, a saber:
De 31/01/1955 à 20/01/1959
De 31/01/1963 à 30/01/1967
De 31/01/1973 à 12/08/1975.
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