Evadyr Molina
"nosso contador de História"
"Tudo começou meio que por acaso, pesquisando curiosidades sobre
o bairro da Venda da Cruz, onde mora.
Mas a curiosidade foi aumentnado, assim coo o desejo de mostrar o que vinha
descobrindo, e ele acabou sendo consagrado como o historiador de São
Gonçalo. Estamos falando de Evadyr Molina, o acadêmico de
67 anos, que há doze dedica suas horas a pesquisa do município.
"Como cidadão, essa é a contribuição que tenho
a dar para minha cidade: , afirma Molina. O historiador, que também
é professor, e acaso poeta, já lançou dois livros
sobre suas pesquisas a respeito do município e agora está
preparando um novo livro, "São Gonçalo no Século XVIII",
elaborado em parceria com Salvador da Mata e Silva e com o apoio do Instituto
Gonçalense de Memória, Pesquisa e Promoções
Culturais (Memor).
"Embora ainda sem data de lançamento e em processo de edição,
Molina está animado e confiante para completar a coleção
que começou com "São Gonçalo no Século XVI"
e, depois, "São Gonçalo no Século XVII". "A
Coleção Memor ficará completa e em breve estaremos
entregando a História de São Gonçalo nos Séculos
XIX e XX prontos", afirma ele. Mas de onde vem tanta disposição?
"- O estudo do passado é a busca da melhor compreensão do
presente. O passado nos transporta para uma outra vida, uma outra época
e é muito bom conhecer quais eram seus costumes, seus hábitos,
suas vestimentas, as relações entre as pessoas, a sua fé.
Isso nos ajuda a entender melhor o nosso presente. Mas é um trabalho
difícil, pois resgatar estes dados, a memória de um bairro
sem muitos registros fica complicado. Mas é um desafio - diz Molina.
Participando das atividades da Associação de Moradores da
Venda da Cruz foi que Molina começou a pesquisar a cidade. A princípio,
a pesquisa limitou-se a levantar curiosidades sobre o bairro, que foi assentamento
de uma família muito nobre, os Jacques-Beauphher, suja residência
era onde atualmente está instalada a base dfo 3º
Batalhão de Infantaria. Segundo Molina, a história de ocupação
de São Gonçalo pode ser contada através de registros
de cartórios de imóveis. Como o município só
passou a ter cartório no século XX, tudo era registrado no
cartório do Rio de Janeiro. São documentos que hoje estão
no Arquivo Nacional, onde o historiador passa boa parte de suas horas,
desde 1985, quando começou a pesquisar.
"Formado em Letras pela antiga Faculdade Fluminense de Filosofia, atualmente
denominada de UFF, como professor, Molina também tem o que contar.
Ele lecionou durante 30 anos no Instituto Clélia Nanci, ajudando
a formar boa parte dos intelectuais e professores de hoje. Na rede particular,
ele trabalhou nos Colégios Independência, Rubem Berta e São
Gonçalo. Sempre ministrando aulas de Português e profundo
apreciador da língua, Molina também publicou dois manuais
de Redação, um de Gramática.
O Carteiro é o poeta
"Como
profissional, Molina também foi um bom carteiro. Na década
de 50, quando ainda cursava a Faculdade, o historiador trabalhou nos Correios
como mensageiro e carteiro. Depois foi promovido a telegrafista e fez até
carreira no ramo, chegando a chefe da agência de Correios de Icaraí.
Mas em 67 deixou as cartas e o selo e ingressou no magistério.
"Apesar de gostar muito de literatura, Molina não tem hábilo
de escrever poesias. Mas é mais ou menos da época em que
trabalhou nos correios a única poesia que fez. "Como é uma
só, eu a decorei", brinca ele, começando a recitá-la.
Chama-se "A Paz Maior".
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"A Paz Maior"
"Eu quero a paz. eu amo a paz, preciso da paz.
A paz entre pais e filhos, marido e mulher, entre irmãos.
Eu quero a paz, com o vizinho do lado, com o dono da quitanda na esquina
A paz com quem eu nunca vi
E jamais verei
A paz com quem vive do outro lado do planeta cuja língua
ignoro.
Talvez a encontre num barco solitário de um lago azul,
Num sorriso inocente de uma criança,
No leito solitário de um moribundo.
Jamais num forte vaidoso ou num rico ambicioso.
Na alameda de um cemitério
Na palavra do sábio.
Não sei.
Preciso encontrar a paz."
Evadyr Molina
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